Chapter 1: A nova etapa
O cheiro do óleo de coco, doce e quente, se misturava com o aroma do suor que grudava nos lençóis da cama. A luz amarelada do abajur na mesa de cabeceira criava uma poça de calor no meio do quarto, deixando as bordas do cantinho em penumbra. Na tela do tablet, dois corpos se entrelaçavam numa coreografia úmida e explícita, os gemidos abafados pela trilha musical eletrônica que saía dos alto-falantes pequenos.
Aline estava de costas para ele, encostada na cabeceira, as pernas abertas. O brilho do silicone rosa do vibrador reluzia por um instante antes de sumir entre suas coxas. Ela soltou um suspiro áspero, a cabeça rolando para trás contra a madeira.
João observava, sentado ao seu lado, a mão pousada na panturrilha dela. Sentia o músculo contrair a cada movimento interno que ela fazia. Seu próprio corpo estava um fio, a tensão latejante presa dentro da calça do pijama. Mas isso era sobre ela. Sempre sobre ela, agora.
“Que cena é essa?” ele perguntou, a voz mais grossa do que gostaria.
“A do banheiro. A loira… ah, caralho… a loira está dando para o entregador enquanto o marido dela trabalha na sala.” As palavras saíram entrecortadas. Os dedos de Aline apertavam o cabo do brinquedo, os nósculos brancos. A mão dela se movia com uma pressão ritmada, uma firmeza que ela só tinha começado a desenvolver nas últimas semanas. Antes, seus toques eram hesitantes, quase acidentais. Agora eram intencionais.
Malhar todos os dias. A testosterona. A rotina. João via as mudanças não só no corpo – os músculos mais definidos nos braços, a linha da mandíbula mais acentuada – mas aqui, na intimidade deste novo ritual. Era uma Aline diferente. Uma Aline que encarava a tela, que não desviava mais o olhar dos atos mais vis, que acompanhava os movimentos com uma curiosidade que beirava a fome.
Ele deslizou a mão pela panturrilha, passou pelo joelho, até repousar na coxa interna. A pele lá estava quente, macia como pétala. Ela estremeceu, mas não parou. Não afastou a perna. Um sinal.
“Ela tá gostando, a loira?” João sussurrou, se inclinando mais perto. O cheiro dela, suor e perfume barato do sabonete, era intoxicante.
“Muito. Ela tá… ela tá falando putaria. Falando que o pau do entregador é maior que o do marido dela.” O ritmo da mão de Aline acelerou. O som úmido, íntimo, se tornou mais alto do que os gemidos do vídeo.
João sentiu um arranhão de ciúme, estúpido e primitivo, seguido por uma onda quente de puro tesão. O fetiche dele, aquele pensamento enterrado e negado por anos, se mexeu como uma coisa viva na escuridão da sua mente. Ver Aline excitada por outra pessoa, por uma ideia de traição… era errado. Era delicioso.
“E você?” Ele forçou a pergunta para fora. “O que acha do pau do entregador?”
Ela gemeu alto, um som gutural que parecia ter saído de um lugar novo dentro dela. Seus olhos castanhos, agora vidrados, se encontraram com os dele por um segundo. Tinha algo desafiador naquele olhar. “É… é grosso. Veiudo. Ela tá tendo que se esforçar pra engolir tudo.”
“E você engoliria?” A pergunta pendurada no ar, carregada.
Aline prendeu a respiração. Os quadris dela empurraram para cima, buscando a pressão do brinquedo. Ela não respondia com palavras, mas com o corpo. Com a boca entreaberta, com o pescoço arqueado, com os mamilos duros salientando a fina camiseta de algodão. Era a resposta dele. Era uma possibilidade.
Ele seguiu o caminho da mão, deixou seus dedos descansarem sobre os dela, que ainda seguravam o vibrador. Sentiu a vibração através da pele dela. Sentiu a contração muscular frenética lá dentro.
“Deixa eu ver,” ele ordenou, suave mas firme.
Ela hesitou por uma fração de segundo – o fantasma da Aline antiga, a envergonhada, a recatada – e então soltou o brinquedo. João pegou, o silicone já escorregadio e quente. Afastou-o dela, lentamente. A visão que se apresentou fez o sangue rugir nos seus ouvidos. Ela estava inchada, úmida, aberta. A luz capturava os fios de lubrificação que se estendiam entre o brinquedo e o corpo dela.
“Continua assistindo,” ele disse, e começou a mover o vibrador. Não direto no clitóris, como ela fazia. Ele rodou a ponta arredondada pela entrada, pressionando, fazendo círculos lentos. Aline gemeu, as mãos se enterrando nos lençóis.
“João… por favor.”
“Por favor, o quê?”
“Na minha… naquele lugar. Ali.”
Ele sabia qual lugar. O ponto que ela mesma tinha descoberto há duas semanas, um tremor de novidade na voz quando contou. Ele alinhou o brinquedo e pressionou. Não foi uma penetração completa, foi uma promessa, uma insistência na abertura.
Aline gritou. As pernas dela se abriram mais, os pés – lindos pés com os dedos pintados de vermelho – se contorceram. O fetiche por pés, sempre escondido, pulsou. Ele imaginou beijar aquele arco, chupar os dedos…
“Isso,” ele encorajou, sua voz um rosnado. “Toma. Vê a puta do vídeo como gosta de ser enrabada? É isso que você quer? Ser usada?”
As palavras eram sujas, pesadas. Eles haviam combinado: era um jogo. Uma forma de tirar o peso daquilo tudo, de transformar a culpa em tesão. E funcionava. O rosto de Aline se contorcia de prazer, não de vergonha.
“Sim,” ela sussurrou, depois mais alto. “Sim! Caralho, João, assim!”
Ele empurrou. O vibrador desapareceu dentro dela, e o corpo dela o engoliu, um espasmo quente e apertado que ele sentiu através do objeto. Ele começou a mover, primeiro devagar, depois com uma cadência firme, baseada no que via na tela, no que ouvia dos atores. O entregador estava falando agora, chamando a loira de vadIa, dizendo que ela era uma esposa ruim.
“Você é uma esposa ruim, Aline?” João sussurrou no ouvido dela, seus lábios tocando a concha quente.
Ela só conseguia gemer, a cabeça balançando de um lado para o outro. Uma das mãos dela saiu do lençol e agarrou seu pulso, guiando-o, exigindo mais força, mais velocidade. A outra mão voou para seu próprio seio, apertando através do tecido.
A câmera do vídeo fazia um close na união dos corpos, na pele batendo na pele. A boca da loira babava. Aline estava babando também, uma umidade escorrendo pela coxa dela onde João a tocava.
Ele acelerou o ritmo, o vácuo dos movimentos criando um som obsceno e maravilhoso. O quarto estava cheio deles: o cheiro, os ruídos, os gemos roucos dela, a respiração ofegante dele. Era uma loucura. Era um templo.
“Vai gozar?” ele perguntou, os músculos do braço queimando com o esforço. “Vai gozar vendo essa puta levar rola de outro homem?”
Ela gritou. Um grito estridente, rouco, que não parecia pertencer à sua Aline educada. Seu corpo arqueou, se ergueu da cama num tremor violento e convulsivo. Ele sentiu as contrações internas através do vibrador, um aperto pulsante e rápido. Ele continuou movendo, prolongando a onda, até os gemidos dela se transformarem em choros, até o corpo dela cair de volta aos lençóis, exausto e coberto de um leve brilho de suor.
Ele retirou o brinquedo, lentamente. Aline gemeu de sensibilidade excessiva. João o deixou cair no lençol e se ajoelhou entre as pernas dela ainda abertas. Inclinou-se e colocou a boca nela, lambendo, bebendo a mistura de seus corpos, o sabor salgado e doce que era só dela. Era um ato de devoção. De posse. De fome.
Aline chorou, as mãos enterradas nos cabelos dele, não puxando, apenas segurando. “João… meu Deus… meu Deus.”
Ele subiu, se deitou ao lado dela, a puxou para um abraço. Ela cheirava a sexo e a vitória. A tela do tablet ainda mostrava o vídeo, agora na cena final, mas o som estava mudo. O único som era a respiração pesada deles.
Passaram-se longos minutos antes que Aline falasse, a voz cansada e maravilhada. “Acho… acho que essa dose de testosterona tá começando a fazer efeito.”
João riu, um som abafado no cabelo dela. “Só a testosterona?”
Ela deu um leve tapa no peito dele. “Seu pervertido. Você gostou de me chamar daquilo? De esposa ruim?”
Ele a olhou nos olhos. O desafio ainda estava lá, misturado com uma doçura pós-clímax. “Você gostou de ouvir?”
Ela mordeu o lábio, corando, mas não desviou o olhar. “Foi… foi diferente. Pesado. Mas eu gostei do peso.”
Ele beijou sua testa. A paz era profunda, completa. Eles tinham a noite toda. E amanhã, talvez um novo vídeo. Talvez uma nova pergunta. Talvez ele confessaria, aos poucos, sobre os outros desejos que rondavam sua mente. A semente estava plantada. E ela estava crescendo, forte e voraz, naquele quarto amarelo e quente.
Ela virou o rosto, enterrando o nariz no pescoço dele. “Não tem mais… não tem mais vergonha. É como se fosse outra pessoa fazendo essas coisas. E eu gosto dela.”
“Eu também,” ele sussurrou de volta. E era a verdade mais pura que ele conhecia.