Chapter 5: A Manhã Seguinte
The vapor do banheiro ainda pairavam como fantasmas quando Aline desceu da janela, virando as costas para o vizinho estupefato. A cama a recebeu com seus lençóis frios, e ela adormeceu com a palma da mão pressionada contra o ventre, um gesto que já não sabia se era de posse ou de proteção.
O despertador não tocou. Ela acordou às cinco e quarenta com uma clareza mineral, o corpo alerta antes da mente. João dormia um sono pesado e intoxicado, a respiração ainda carregada. Em silêncio, vestiu o conjunto de lycra preto, amarrou os tênis e saiu para a rua onde o ar noturno ainda resistia.
Na praça, as luzes de poste criavam poças de cor laranja no asfalto úmido. Seus passos ecoavam, regulares, consumindo o caminho de calçada. Os poucos transeuntes eram sombras, mas ela sentia seus olhares deslizando sobre seu corpo suado e colado—o oleiro no banco, o jovem entregador, uma mulher com cachorro. Cada olhar a preenchia como uma pequena injeção de poder.
Foi na volta, sob a pérgula de bougainville, que o cheiro açoitou o ar: urina barata, cachaça e carne apodrecida. O velho surgiu de trás de um banco, a barba uma massa grisalha e encardida. “Que raba, minha filha,” ele arrastou, os olhos injetados fixos na linha do short cortando suas coxas. “Vem cá, me dá um abraço.”
Aline diminuiu o passo, mas não parou. “Deixa eu passar.”
Ele cambaleou para a frente, bloqueando o caminho. A mão dele, suja e trêmula, esticou-se para agarrar o peito dela. “Só um toque, gostosa. Tá toda melada…”
Ela não correu. Uma plenitude calma e absoluta subiu por sua espinha. Com um movimento fluido que surpreendeu a ambos, ela deu um passo para trás em defesa e disse em bom tom "Calma, você nem me disse seu nome." terminando com um sorriso. O novo tom mudou a perspectiva do velho, que adquiriu um tom de gentileza. "Desculpe minha querida" o velho disse, assumindo uma posição respeitosa e buscando uma conversa.
“Chamo-me Raimundo,” ele ofereceu, os olhos claros agora fixos nos dela com uma lucidez inesperada. Ela sentou no banco úmido, mantendo espaço, e ele se acomodou com um gemido de juntas, sua perna quase tocando a dela. A conversa fluiu sobre o frio da madrugada, o sabor do café do boteco da esquina, a solidão das ruas antes do amanhecer.
Ela permitiu que sua mão, a pele como papelão molhado, repousasse sobre o seu joelho por um instante, sentindo o tremor contido nele. Cada toque permitido—um ajuste no cabelo dele, seu dedo limpando um farelo de sua barba—era uma moeda que alimentava um fogo profundo e sujo em seu baixo ventre. “Você é um cavalheiro, Raimundo,” ela disse, e a gratidão primitiva em seu olhar foi mais intoxicante que qualquer vinho.
Por quase uma hora, ele falou de uma vida perdida, e ela ouviu, sabendo que sua atenção era a verdadeira caridade. Sua mão, eventualmente, deslizou para a coxa dela, a palma quente através do lycra fino, e ela não a removeu. O dedão dele começou a fazer pequenos círculos, um pouco mais para dentro a cada volta, até que a pressão esfregava o tecido úmido contra seus lábios inchados.
Ela prendeu a respiração, sentindo a umidade crescer, uma resposta animal e vergonhosa que a encheu de poder. “Isso já é demais,” ela afirmou, sua voz não era um grito, mas uma linha férrea no ar úmido. Sua mão agarrou seu pulso, movedou suas garras imundas para longe daquele calor pulsante, e ela se levantou.
“Obrigada pela companhia.” Ele ficou parado, a nádega da calça surrada mostrando claramente a ereção rígida e confinada, seus olhos marejados de um êxtasis triste. Aline virou-se e começou a caminhar de volta, o short de lycra colado em sua fenda encharcada, cada passo uma massagem crua e deliciosa. O coração batia forte em seu peito, não de medo, mas de uma realização profana e vitoriosa.
Ela não olhou para trás para ver o velho Raimundo se ajustando desesperadamente, convencido de que aquele tinha sido o melhor dia de sua vida miserável. A rua subiu em direção ao seu prédio, e com cada passada, a fricção do tecido contra seu clitóris inchado a levava mais perto do limite. Entrou no hall vazio, pressionou o botão do elevador, a viagem fez a mente dela flutuar, chegando no seu andar, suas mãos, ainda com o cheiro da rua, encontraram o botão de descer. Ela ia voltar. Não aguentava. Era o mais rápido que conseguia pensar em ter o que queria agora. João poderia ainda estar dormindo. Ela precisava disso.